Desde que eu nasci, algumas pessoas diziam que eu era muito feinha e começaram a dizer que eu era parecida com um rato ou morceguinho.
Depois que eu me mudei para o Brasil, as pessoas me estranham ainda mais… Parece que nunca viram um cachorrinho da minha raça por aqui. Normalmente, dizem que eu pareço uma raposinha ou um leãozinho, por causa da minha juba. Até aí eu concordo um pouco, mas tenho ouvido muitas coisas engraçadas das crianças na rua.
Outro dia, lá no Rio, um menininho falou que eu parecia um gambá! Caramba! Fiquei ofendida… Eu estava toda cheirosinha, e ele me chama de gambá… Essa não!
Um outro menino disse que eu pareço um carneirinho. Acho que ele nunca deve ter visto um carneiro! rs
Uma outra criança disse que eu pareço um lobinho. Acho mais engraçado quando as pessoas dizem que eu tenho cara de má e ficam com medo de passar a mão em mim. Poxa! Eu me acho tão fofinha… Como podem dizer isso de mim?
Um dia um cara falou que eu parecia com o gato dele! Algumas crianças também perguntam para suas mães se eu sou um gato… Eu mereço!
Uma das coisas mais engraçadas que já ouvi (de duas pessoas diferentes!) foi que eu pareço um passarinho!!! Cuidado comigo que qualquer hora eu saio voando por aí… haha
Outra coisa que as pessoas não sabem bem é a minha raça. Muita gente, quando eu tô passeando, diz: “Olha o Chiuaua!”. Me dá uma vontade de dizer: “Chiuaua é a mãe!”. Eu sou uma Lulu da Pomerânia. Nos Estados Unidos, minha raça é chamada Pomeranian. Uma menina aqui do condomínio de Arraial do Cabo já perguntou algumas vezes qual a minha raça, mas ela só diz “Lulu da Pomerangas”. Outra menininha lá em Búzios perguntou pra Tati qual a minha raça, e depois que a Tati falou, a menina só ficou me chamando de Lulu. Eu ignorei ela, é claro!
Uma criança falou também que eu pareço com o personagem do filme “Era do Gelo”, que eu acho que é um esquilo. Até que esse parece um pouco mesmo. Mas, vamos esclarecer essa questão de uma vez por todas, eu sou a Sophie, uma CACHORRINHA de 9 meses, da raça Lulu da Pomerânia. Da próxima vez que me chamarem de gambá, eu vou responder: “Pelo menos eu cheiro melhor do que você!”. E não se fala mais nisso.
Nossa! Já faz mais de 3 meses que não escrevo aqui. Os últimos meses foram muito confusos mesmo. Em outubro, eu e Tati recebemos a visita da Bia e do Gui em Nova York, e o nosso pequeno studio ficou tão pequeno que mal podíamos andar com tanta mala e sacola. No Halloween eu fui a uma festa de Pomeranians em NY, onde todos os cachorrinhos foram fantasiados. Foi divertido e comi muitos biscoitinhos diferentes.
Em novembro, a Tati começou a arrumar a mudança para o Brasil, e a casa ficou ainda mais bagunçada, com várias malas e caixas de papelão. Em meados de novembro, fui ao meu último encontro de Pomeranians em NY, na praça Washington Square, no Village. Demos sorte que não estava um dia muito frio, pois era ao ar livre. Conheci uns cachorrinhos lindos!
No final de novembro, dois dias antes do feriado de Thanksgiving, eu sofri um acidente. A Tati estava recebendo uma visita que ía comprar uns móveis dela, e como eu estava pulando na perna da mulher, a Tati me colocou em cima da cama dela. Eu tava tão agitada querendo brincar, que escorreguei da beirada da cama e caí com as duas patas da frente no chão. Foi uma dor insuportável, pois quebrei as duas pernas da frente. Fiquei caída de barriga para cima sem conseguir me mexer e gritando muito. A Tati me pegou no colo e me colocou deitada em cima da cama. Ela ía fazer uma tala, mas achou melhor não tentar dar uma de médica. Ela ainda mexeu nas minhas pernas para constatar que realmente estavam quebradas, e eu gritei muito!
A Tati ficou tentando me acalmar e colocou a mão dentro da minha boca para eu morder, depois ela me deu dois calmantes naturais para cachorro. Ela pediu à visita para nos levar de carro até o veterinário, mas já eram umas 8h da noite e, quando chegamos lá, estava fechado. Então ela ligou para um amigo procurar na internet se tinha alguma emergência para animais de estimação por perto. Ele passou o número de dois hospitais, mas nenhum era muito perto. Por sorte, a Tati conseguiu descobrir um hospital de cachorro aberto em Manhattan, e fomos de taxi de Astoria, em Queens, para lá. Eu fui o tempo todo no colo da Tati de barriga para cima e, cada vez que o taxi passava num buraco ou sacudia, era uma dor terrível, e eu gritava à beça. Quando chegamos lá, a mão da Tati estava sangrando, toda mordida. Tivemos que esperar quase umas 3 horas até que os médicos pudessem me levar para fazer o raio X. Fiquei esse tempo todo no colo da Tati imóvel. Os médicos nem quiseram mexer, porque só de olhar dava para ver que tinha quebrado, pois uma das pernas ficou quebrada ao meio e torta pro lado.
O raio X foi muito difícil. Que dor!!! A Tati disse que ouviu os meus gritos do andar de cima do hospital. Os medicos decidiram que eu teria que ser operada, mas só no dia seguinte. Tive que dormir lá no hospital numa jaula, com as pernas imobilizadas e tomando remédio para dor no soro. No dia seguinte, a Tati foi para lá e ficou comigo até umas 3h da tarde, até a hora que os médicos me levaram para a cirurgia. Acho que a cirurgia começou umas 4h da tarde e só terminou mais de 6h da noite. Durante esse tempo, a Tati foi para a missa na Igreja de São Francisco de Assis em Manhattan. Ele é o protetor dos animais! Depois da cirurgia, ela voltou para o hospital, mas os médicos não deixaram ela me ver porque eu fiquei muito “grog”. Tive que passar mais uma noite no hospital. Só fui liberada no final da tarde de quinta-feira, no Dia de Ação de Graças (Thanksgiving).
Durante uns dias tive que tomar um remédio horrível para dor! Fiquei confinada num espaço pequeno que não dava para andar, pois eu não podia fazer esforço. Toda vez que eu queria ir ao banheiro eu tinha que dar um latidinho para avisar a Tati, e ela me levava no colo e me segurava até eu fazer as minhas necessidades. A primeira noite foi mal dormida, e até a Tati ficou enjoada por causa do cheiro de hospital e da situação toda. Foi mesmo um susto! Ainda teve o prejuízo da conta do hospital, que ficou em quase 8 mil dólares!!! A Tati nem tinha esse dinheiro, mas por sorte recebeu a aposentadoria dela nos EUA que ela cancelou. Coitada… todo o dinheiro que ela ía trazer de volta pro Brasil foi embora num piscar de olhos. Mesmo assim eu acho que ela não ficou triste com o dinheiro, pois ela estava mais preocupada com a minha sobrevivência e minha recuperação. Ela tinha muito medo que algo acontecesse na cirurgia ou que eu não pudesse andar mais.
Fiquei com uma placa e 6 parafusos em cada perna! A Tati me deixou cercada com as malas pesadas dela, mas depois de uma semana eu já estava mais animadinha. Um dia ela saiu e, quando chegou em casa, eu estava na porta esperando por ela, sem uma das talas. Ela levou um baita susto quando viu aquela perna de gaze roxa caída no chão, e eu andando com aquela perninha de galinha. Lá foi ela correndo comigo pro veterinário, para eles trocarem meu curativo. Toda semana tínhamos que trocar o curativo no veterinário, e os pontos foram tirados 2 semanas depois da cirurgia. Doeu!
A Tati estava com medo de não podermos viajar para o Brasil por causa das minhas pernas quebradas, mas o veterinário liberou e deu o atestado para viagem internacional. Depois ela teve que ir ao aeroporto JFK dez dias antes da viagem para levar esse atestado e a comprovação de vacina anti-rábica, para conseguir uma autorização do Departamento de Agricultura dos EUA para viajar. Depois ela ainda foi ao Consulado Brasileiro para levar essa papelada e pegar a autorização do Consulado, mas graças a Deus não precisa mais desse papel do Consulado. Quanta burocracia para me levar pro Brasil. Ainda tinha que pagar 250 dólares de passagem por trecho viajado!
Meu avô, pai da Tati, foi a NY uns 4 dias antes de viajarmos para ajudar na mudança. Foram tantas malas! Acho que eram 10 volumes despachados, além de mim, com as pernas quebradas. Quando a Tati foi passar no Raio X do aeroporto, ela teve que avisar que eu tinhas os parafusos e as placas nas pernas, e passamos por um lugar especial, onde uma mulher passou um negócio em mim e na bolsa da Tati. Eu viajei dentro de uma bolsinha, dentro do avião, embaixo do assento da frente ao da Tati. Nem reclamei um minuto… Achei aquilo tudo muito legal! Dormi quase a viagem inteira… Quando chegamos no Brasil, a minha avó Marília e minha tia Alexandra estavam no aeroporto para buscar a gente, mas tivemos que alugar um micro-ônibus para levar a bagagem. Depois eu conto para vocês sobre meus dois primeiros meses no Brasil!
Eu sou uma Lulu da Pomerânia (Pomeranian) bilíngue, nascida em Nova York no dia 11 de maio de 2009. A cor do meu pelo é meio misturada de bege, mel, preto e cinza. Meus olhos são castanhos e amendoados.
O nome Pomeranian se origina da região da Pomerania, que hoje é uma área entre Alemanha e Polonia. A raça, conhecida no Brasil como Lulu da Pomerania, ficou mais popular depois que a Rainha Victoria levou um cãozinho de Florença, na Itália, para a Inglaterra em 1888.
Muitas personalidades tiveram Pomeranians, como Mozart, Chopin, Michelangelo, Isaac Newton, etc.
Atualmente, moro no Rio de Janeiro com a minha dona Tati e a família dela.